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| O LOCAL | |
No alto da colina
de Santana, exatamente onde hoje se ergue o quartel do Centro de Preparação
de Oficiais da Reserva de São Paulo, os jesuítas instalaram a sede
da fazenda, uma construção tipo solar, com uma capela anexa (Capela Santana),
que serviu de convento, abrigando os frades daquela ordem religiosa. |
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A primeira data em que se tem
notícia da existência desse prédio é 1734. Com a expulsão dos jesuítas
e a transferência de seus bens para a Coroa em 1761, desaparecem as informações
sobre a utilização do edíficio, supondo-se que o Governo Provincial passou
a usá-lo como residência para algum de seus integrantes.
Essa conclusão é fruto da constatação de que em 1821 residiam no Solar
os conselheiros José Bonifácio de Andrada e Silva e Martim. Confirma-se
a suposição pela não inclusão do solar no inventário do patriarca feito
em 1838. |
Nessa época o chamado Solar
dos Andradas foi palco de um fato que se tornou decisivo para a História
do Brasil. Dentre outras medidas contrárias aos interesses brasileiros,
as Cortes de Portugal exigiam a imediata volta de D. Pedro à Europa, o
que provocou imediata movimentação política no Rio de Janeiro, São Paulo
e Minas Gerais. |
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Até então muitos grupos, inclusive o de José Bonifácio, cogitavam, a harmonia do Reino Unido Brasil e Portugal. As atitudes das cortes desencadeiam os acontecimentos pró-independência. Como resultado da ação, o Clube da Resistência, organizado no Rio de Janeiro, envia emissários a São Paulo e Minas Gerais. O portador da missiva a São Paulo era Pedro Dias Paes Leme, que aqui chegou na noite de 23 de dezembro, dirigindo-se imediatamente para Santana cumprindo a missão que lhe fora confiada, apesar da chuva torrencial que caía. José Bonifácio estava doente e era na ocasião vice-presidente da Província; seu irmão, Martim Francisco, era Secretário. As condições do tempo e o adiantado da hora não permitiam que fossem ouvidos os demais membros da administração provincial. Os três homens vararam a madrugada redigindo um documento conciso e sintético, porém cheio de energia política e habilidade diplomática, exigindo a "ficada" de D. Pedro. No alvorecer de 24 de dezembro de 1823, os três patriotas sairam de Santana, com destino ao centro da cidade, para providenciar a reunião dos membros do Governo, colher as assinaturas e mandar a delegação ao Rio de Janeiro. Essas tarefas concluiram-se às onze horas, o que faz supor, levando em consideração as distâncias a serem vencidas e as diligências, que a representação já saiu do Solar com sua redação definitiva, apesar de datada no Palácio do Governo, como não poderia deixar de sê-la. A Representação dos paulistas foi fator preponderante para a decisão de D. Pedro, efetivada em 9 de janeiro de 1822, conhecida a partir de então como o Dia do Fico. Em 1850, o Solar passou a ser sede do Seminário dos Educandos de Santana, uma escola pública. Mais tarde, em 1875, o governo do Estado aproveitou o prédio para ali instalar o hospital de variolosos. Com a mudança do hospital ocupou o local a "Tramway da Cantareira", que ali instalou suas oficinas, em 1892. O velho e histórico imóvel foi desocupado em 1894, sendo transformado em quartel das tropas federais de São Paulo, sendo a primeira Unidade aquartelante o 3º Regimento de Artilharia de Campanha, e a seguir todas as forças do Exército estacionadas em São Paulo. A deterioração do edifício era evidente e como decorrência foi demolido em 1915, ano em que iniciou-se a construção de um novo prédio, concluído em 1917, inaugurado em 15 de novembro, com a instalação da 1ª Companhia do 43º Batalhão de Caçadores. A seguir foram construídos dois pavilhões laterais que abrigaram as 2ª e 3ª Companhias. Em 1919 a 6ª RM passou a ser denominada 2ª RM e o 43º BC transformou-se em 4º Batalhão de Caçadores. Foram erigidas as garagens em 1941, e em 1946 demoliu-se um pavilhão para o erguimento da Companhia de Metralhadoras, atual Companhia de Comando e Serviços. De 3 a 10 de março de 1948 transfere-se para o prédio o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo, ocupando as instalações do extinto 4º BC, permanecendo até hoje. |
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| O CPOR/SP |
Em função dos resultados alcançados
no Rio de Janeiro, a partir de 1926, o então Ministro da Guerra autoriza
o Comandante da 2ª Região Militar, General de Divisão Hastimphilo de Moura
a colocar em funcionamento o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva
de São Paulo. Instalado primeiramente nas dependências do 4º Esquadrão
do 2º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Quitaúna, o CPOR/SP
realizou sua primeira formatura no dia 14 de julho de 1930, sendo comandada
pelo Capitão Aurélio Alves de Souza Ferreira, naquela época denominado
Diretor. Inicialmente era integrado pelos Cursos de Infantaria, Cavalaria
e Artilharia e o período letivo era de dois anos, com instrução aos fins
de semana. Os materiais e animais utilizados pertenciam às unidades da
área, como o 4º RI, 4º BC, 2º GIAP e IV/2ºRCD. Já no início de 1931 transfere-se
a sede para três salas no 4º andar da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional.
As instruções eram ministradas no Mackenzie College e no Tiro-de-Guerra
nº 35, permanecendo a parte prática nas unidades da Guarnição. Com a eclosão
da Revolução Constitucionalista, os alunos do CPOR/SP foram incorporados
às Forças Revolucionárias, por ordem do Comandante da 2ª Região Militar,
General Bertholdo Klinger, demonstrando nas várias frentes de Combate,
coragem, abnegação e o valor de sua formação militar. A derrota dos paulistas
acarretou a extinção do CPOR/SP em 26 de setembro de 1932. Em maio de
1934, o Ministro da Guerra, General Pedro Aurélio de Gois Monteiro, autoriza
o Comandante da 2ª Região Militar, General Olympio da Silveira a organizar
o Centro, que passa a ocupar um prédio alugado, situado an Avenida Tiradentes,
nº 13. Suas aulas práticas continuam a ser realizadas nas Organizações
Militares da área, agora com o apoio, também, do Regimento de Cavalaria
da Força Pública do estado de São Paulo. Em 1936 é instalado o Curso de
Intendência, então denominado "Administração" e no início de 1942 também
começa o Curso de Engenharia. |
Em dezembro de 1942 completa-se
a mudança para um prédio alugado na Rua Abílio Soares, bairro do Paraíso,
próximo a outras unidades do Exército, que apóiam os exercícios
no terreno para os futuros oficiais, dispondo de áreas do Parque do Ibirapuera
para a prática de suas instruções. |
O ingresso do Brasil na II Grande Guerra Mundial fez com que a mobilização nacional demonstrasse a correção do pensamento inovador do Capitão Correia lima. Grande parte dos oficiais subalternos que defenderam a democracia nos campos de batalha da Itália eram oriundos da reserva. Destes, trinta e nove eram oriundos do CPOR/SP, entre os quais o Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, que morreu heroicamente em combate.Ao final da guerra, o Exército sofreu algumas transformações. Dentre elas a transferência do 4º Batalhão de Caçadores. Sua sede, localizada no outeiro de Santana passou a ser ocupada pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo, a partir de março de 1948 até hoje .Em 27 de janeiro de 1955, pelo decreto nº 36.825, o Presidente da República cria o Estandarte-Distintivo para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, sendo este confeccionado na cor azul celeste, com o Símbolo do Exército, nas suas cores e metais, de dimensões iguais à um terço da altura da talha, abaixo do símbolo as inicias CPOR e abaixo deste a cidade sede, no caso, São Paulo, em caracteres dourados, possuindo também uma franja em ouro em toda sua volta e um laõ militar das cores nacionais com o dístico CPOR-SP. |
Como reconhecimento da atuação
em favor do Movimento Constitucionalista, a Assembléia Legislativa do
Estado de São Paulo, outorgou a Medalha da Constituição ao CPOR/SP, homenageando
sua bandeira com a láurea em 1962. Quatro anos mais tarde a Sociedade
de Veteranos de 1932 condecora o estandarte do Centro com o Florão e a
Medalha MMDC A 4 de agosto de 1962, o Exmo Sr. Presidente da Republica,
na qualidade de Grão Mestre da Ordem do Mérito Militar, agracia o Pavilhão
Nacional do CPOR/SP com as insígnias dessa ordem. |
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Em 15 de Abril de 1980, o Estandarte do CPOR/SP é
condecorado com a Medalha Pedro de Toledo e com a Medalha MMDC, pela Associação
dos Veteranos.Em 28 de junho de 1994, o Centro de Preparação
de Oficiais da Reserva de São Paulo, através de seu pavilhão,
foi homenageado pelo Tribunal Superior do Trabalho com a Ordem do Mérito
Judiciário do Trabalho, conferido em solenidade no Edifício
Sede do TST, em Brasília-DF, pelos serviços prestados à
Justiça do Traballho.Em 1995 começa a funcionar no Centro os cursos
de Comunicações e de Material Bélico.Em 30 de outubro de 2003, o Centro
de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo,
foi homenageado pelo Conselho da Ordem do Ministério Público
Militar, que concedeu a Ordem do Mérito Público Militar
ao estandarte do Estabelecimento de Ensino. |
O PATRONO |
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O Ten Cel Art Luiz de Araujo Corrêa Lima, idealizador do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exercito Brasileiro, descendente de ilustre família de militares, nasceu em Porto Alegre, no dia 04 de novembro de 1891. |
Em 1916, contraiu matrimônio com dona Marina de Souza e Mello Corrêa Lima, advindo dessa feliz união, cinco filhos, dois quais, os dois mais velhos seguiram os passos do pai, optando pela carreira das armas. Em 26 de setembro de 1907, sentou praça no extinto 17º Batalhão de Infantaria, sediado em Porto Alegre, onde prestou concurso para a Escola Militar. Aluno Brilhante e aplicado, figurou entre os primeiros classificados nos Cursos das Escolas Militares que freqüentou: Escola Militar de Porto Alegre - Curso Fundamental, Escola Militar do Realengo - Curso de Artilharia, Escola de aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Estado - Maior. No Exército, galgou os postos até Major, este por merecimento, sendo promovido a Ten Cel, post mortem, em 13 de outubro de 1930, por ato de bravura. |
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Como principais acontecimentos de sua carreira podemos citar:
As leituras e estudos sobre os acontecimentos da Primeira Grande Guerra, especialmente quanto aos mecanismos de recrutamento e recompletamento de claros, se constituíram na fonte inspiradora do ideal de sua vida - os Centros de Preparação de Oficiais da Reserva, pelos quais trabalhou desde de muito cedo, ainda como Tenente. Teve de lutar contra inércia e a incompreensão, que não existiam somente no meio civil, mas também no meio militar, onde colocavam em dúvida a sua honestidade de propósito, e, onde até mesmo, o acusavam de querer reorganizar a extinta guarda Nacional. Realmente, a índole do povo brasileiro jamais aceitaria um Exército que visasse guerra de conquista, que fosse um instrumento de imperialismo ou de opressão. Nossas Forcas Armadas destinam-se a defesa da Nação, quando esta for Agredida e tiver de lutar pela sua sobrevivência. Para que o Brasil esteja e Condições de defender-se, entretanto, e necessário que se tenha cuidado, em tempo, de sua defesa. Pois, seria um crime se deixar surpreender pelos acontecimentos uma vez que um Exército não se improvisa . Esta é, aliás, a razão da existência das Forças Armadas, em uma democracia. Infelizmente Corrêa Lima não pode completar sua obra. Já Major, servia em Curitiba, como comandante do 1º Grupo do 9º Regimento de Artilharia Montada, quando irrompeu a revolução de 1930. Soldado de grande personalidade, para quem o dever militar e a manutenção da ordem institucional constituíam compromisso, nunca deixou a maior dúvida, no espírito dos que o conheciam, de que a tropa que comandava cumpriria suas ordens em qualquer emergência, tal a ascendência exercida sobre seus comandantes, e que jamais se disporia a participar de uma ação subversiva. Por isso, os chefes revolucionários, certos e temerosos de que ele reagiria com rapidez, firmeza e decisão, características inerente à sua personalidade, atacaram-no, de surpresa, em seu quartel, e o assassinaram. Assim, no dia 5 de setembro de 1930, a Nação Brasileira e seu Exército cobriram-se de luto, pela perda de um bravo e heróico filho, o então Major Corrêa Lima. Sua fidelidade, honra, honestidade de propósitos e coragem moral, manifestadas por determinação inesgotável e atitude invariavelmente firme e decididas, tem se constituído no apanágio que, ao longo dos tempos, caracterizava as gerações oriundas dos CPOR. Tais virtudes Militares, representam legado inconteste que, transpondo os portões da caserna, para frutificar no seio da sociedade, se consubstanciam em frases lapidares, com que Corrêa Lima, evocando os mais nobre ideais, nos exorta à exaltação da Pátria em face do dever, e nos recorda , de forma solene e vigorosa, o compromisso irrecusável, definitivo e absoluto, ente a Nação brasileira: " A vida é pouco diante do dever para com a Pátria" Atualmente, o CPOR/SP, é comandado pelo Cel Art Marcelo Antonio Neves. |
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